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Brasil

Dólar abre em queda após decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos

Marcus Bramdale
Marcus Bramdale 17/09/2026
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11 Min de leitura
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Moeda americana iniciou esta quinta-feira perto de R$ 5,13 após Copom cortar a Selic e Federal Reserve elevar os juros dos Estados Unidos.

Contents
Por que o dólar caiu mesmo com o Brasil reduzindo a Selic?O que mudou nos juros do Brasil e dos Estados Unidos?O que a nova combinação de juros pode mudar para o brasileiro?Fontes:

O dólar abriu em queda nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, enquanto investidores assimilavam duas decisões importantes de política monetária tomadas no dia anterior. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu novamente a taxa Selic, que passou de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve tomou a direção oposta e elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

No início das negociações, a moeda americana era negociada próxima de R$ 5,13, depois de ter ficado ao redor de R$ 5,16 antes das decisões dos bancos centrais. O movimento ocorre em um momento no qual investidores tentam calcular como a combinação entre juros menores no Brasil e maiores nos Estados Unidos poderá afetar o fluxo internacional de dinheiro, a atratividade dos investimentos brasileiros e a cotação do real.

As decisões também criaram um cenário incomum: enquanto o Banco Central brasileiro conduz um processo gradual de redução da Selic, o Fed decidiu aumentar novamente o custo do dinheiro nos Estados Unidos. Essa diferença é importante porque as taxas de juros estão entre os fatores considerados pelos investidores na escolha dos países para onde direcionar seus recursos. O comportamento do dólar nos próximos meses dependerá, porém, de um conjunto mais amplo de variáveis, que inclui inflação, atividade econômica, cenário fiscal, preços de commodities e riscos internacionais.

Por que o dólar caiu mesmo com o Brasil reduzindo a Selic?

A reação inicial do câmbio pode parecer contraditória. Em princípio, juros brasileiros menores reduzem parte da vantagem oferecida aos investidores que mantêm recursos em ativos denominados em reais. Ao mesmo tempo, juros americanos mais elevados aumentam a remuneração disponível em uma economia considerada de menor risco, diminuindo a diferença entre as taxas praticadas pelos dois países.

Mesmo assim, o mercado financeiro não reage apenas ao sentido de uma decisão. Grande parte dos movimentos ocorre antes dos anúncios, quando investidores ajustam posições com base nas expectativas. Na quarta-feira, antes das decisões, o dólar estava ao redor de R$ 5,16, e tanto o corte brasileiro quanto a elevação americana estavam amplamente no radar dos agentes financeiros.

O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo da taxa básica brasileira. Desde o início desse ciclo, a Selic acumulou redução de 1,25 ponto percentual, embora continue em patamar elevado.

A decisão brasileira foi tomada por unanimidade. O Banco Central considerou a desaceleração recente da inflação e sinais de moderação da atividade econômica, mas evitou estabelecer previamente qual será sua decisão na próxima reunião. A inflação continua acima do centro da meta, o que mantém a necessidade de cautela.

Essa ausência de um compromisso explícito com novos cortes tornou-se importante para o câmbio. Se o mercado interpretasse que a Selic cairia rapidamente nos próximos meses, a diferença entre os juros brasileiros e americanos poderia diminuir de forma mais intensa. Como o Banco Central manteve os próximos passos dependentes dos dados econômicos, parte desse risco permaneceu limitada.

Mesmo depois do novo corte, os juros brasileiros continuam muito superiores aos praticados nos Estados Unidos. Isso significa que o chamado diferencial de juros ainda existe, embora tenha diminuído.

O câmbio também responde a movimentos técnicos, fluxo de investidores estrangeiros, preços das commodities e percepção sobre a economia brasileira. Dessa forma, a queda registrada na abertura de 17 de setembro não deve ser interpretada como consequência de um único fator.

O que mudou nos juros do Brasil e dos Estados Unidos?

No Brasil, a Selic chegou a 13,75% ao ano após cinco reduções consecutivas promovidas pelo Copom. O movimento representa uma flexibilização gradual da política monetária depois de um período prolongado de juros elevados utilizado para controlar as pressões inflacionárias.

O Banco Central tem um desafio duplo. Juros elevados ajudam a reduzir a inflação porque encarecem o crédito e diminuem parte da demanda na economia. Por outro lado, também aumentam o custo dos financiamentos, dificultam investimentos produtivos e podem desacelerar a atividade econômica.

Os indicadores recentes passaram a mostrar uma combinação mais favorável para a redução gradual da Selic. A inflação apresentou sinais de desaceleração e a atividade perdeu força em determinados segmentos. Isso abriu espaço para os cortes realizados desde março, embora a autoridade monetária continue observando riscos internos e externos antes de definir os próximos movimentos.

Nos Estados Unidos, ocorreu o movimento contrário. O Federal Open Market Committee (Fomc) decidiu elevar em 0,25 ponto percentual o intervalo da taxa dos fundos federais, que passou para 3,75% a 4%. A decisão foi aprovada por unanimidade.

Segundo o comunicado oficial do Federal Reserve, a atividade econômica americana continua crescendo em ritmo sólido, enquanto os gastos domésticos permanecem resilientes. O banco central americano também destacou que a inflação continua elevada e afirmou que a decisão busca contribuir para que ela retorne de maneira mais oportuna à meta de 2%.

A elevação entrou em vigor operacionalmente nesta quinta-feira, 17 de setembro. O Fed também aumentou a taxa paga sobre reservas bancárias para 3,90% e a taxa de crédito primário para 4%.

O contraste entre as duas economias é relevante. O Brasil começou a reduzir seus juros enquanto os Estados Unidos voltaram a aumentá-los. Se essa trajetória continuar, o diferencial entre as taxas poderá diminuir, alterando gradualmente os incentivos existentes para investidores internacionais.

Isso não significa necessariamente que o dólar passará a subir no Brasil. A relação entre juros e câmbio não funciona de forma automática. Expectativas fiscais, inflação, crescimento econômico, exportações, entrada de investimentos e acontecimentos internacionais podem alterar a direção da moeda mesmo quando o diferencial de juros diminui.

O que a nova combinação de juros pode mudar para o brasileiro?

A cotação do dólar possui efeitos que ultrapassam o mercado financeiro. Uma valorização prolongada da moeda americana pode aumentar custos de produtos importados, componentes industriais, eletrônicos, viagens internacionais e determinados insumos utilizados na produção brasileira.

Também existe impacto potencial sobre a inflação. Muitos produtos consumidos no país dependem de componentes importados ou possuem preços relacionados ao mercado internacional. Combustíveis, fertilizantes, máquinas e alguns alimentos podem sofrer influência direta ou indireta das oscilações cambiais.

Para quem pretende viajar para o exterior ou comprar produtos em moeda estrangeira, acompanhar apenas a cotação de um único dia pode ser insuficiente. A abertura perto de R$ 5,13 representa uma fotografia daquele momento do pregão, e a taxa pode variar significativamente durante a própria sessão.

Os juros brasileiros também afetam diretamente consumidores e empresas. A queda da Selic tende, com defasagem e intensidade variável, a reduzir determinadas taxas de crédito. Financiamentos, empréstimos e custos de capital podem responder ao ciclo monetário, embora os juros efetivamente cobrados pelos bancos também dependam de risco de inadimplência, impostos, custos operacionais e margens das instituições.

Para investidores, a renda fixa brasileira continua oferecendo remuneração elevada em termos nominais. Ao mesmo tempo, a redução da Selic modifica gradualmente a comparação entre títulos de renda fixa e outros ativos. O movimento pode alterar a composição das carteiras, mas as decisões individuais dependem do perfil de risco e dos objetivos de cada investidor.

No cenário externo, o aumento promovido pelo Fed torna os títulos americanos relativamente mais atraentes. Como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos são uma referência internacional, mudanças nos juros americanos podem influenciar fluxos de capital em praticamente todos os mercados emergentes.

É justamente essa combinação que deverá permanecer no radar nas próximas semanas. No Brasil, o mercado tentará identificar se o Copom interromperá temporariamente o ciclo de cortes em 13,75% ou encontrará espaço para novas reduções. As análises publicadas depois da decisão mostram divergência: parte dos economistas espera uma pausa, enquanto outros ainda enxergam possibilidade de novos cortes até dezembro.

Nos Estados Unidos, investidores acompanharão os próximos indicadores de inflação, emprego e atividade para entender se o aumento de setembro representa um ajuste isolado ou o início de uma sequência mais prolongada de aperto monetário.

A queda do dólar observada na abertura desta quinta-feira é, portanto, apenas a primeira reação depois de uma combinação relevante de decisões monetárias. Com Brasil e Estados Unidos seguindo direções opostas nos juros, o diferencial entre as duas economias volta ao centro das atenções. Os próximos dados de inflação e atividade ajudarão a determinar se o dólar permanecerá próximo dos níveis atuais ou encontrará novas pressões ao longo dos próximos meses.

Fontes:

  • UOL — Dólar abre em queda a R$ 5,13 após decisões de juros
  • Folha de S.Paulo — Mercado repercute decisões de juros no Brasil e nos EUA
  • Folha de S.Paulo — Banco Central reduz Selic para 13,75%
  • Federal Reserve — Comunicado oficial da decisão de juros de 16 de setembro
  • Federal Reserve — Nota de implementação da nova taxa americana
  • Federal Reserve — Calendário e documentos das reuniões do Fomc
  • UOL — Analistas avaliam os próximos passos da Selic
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