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Politica

Congresso cancela sessão e adia votação de 65 vetos presidenciais por falta de acordo

Diego Velázquez
Diego Velázquez 22/06/2026
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7 Min de leitura
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Davi Alcolumbre aponta baixo quórum entre parlamentares e promete nova sessão em até 15 dias, antes do recesso legislativo

Contents
Por que a sessão foi cancelada e o que estava em jogoO pano de fundo da decisão e a investigação contra Jaques WagnerO que esperar das próximas semanas no Congresso

O Congresso Nacional cancelou nesta quinta-feira, dia 18 de junho, a sessão conjunta que estava marcada para analisar 65 vetos presidenciais e cinco projetos de lei considerados estratégicos tanto para o governo quanto para o Legislativo. O anúncio foi feito pelo presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, ao lado do líder do governo na Casa, o senador Randolfe Rodrigues. Segundo Alcolumbre, o motivo principal foi a falta de acordo entre as lideranças partidárias sobre a manutenção ou a derrubada dos vetos, somada a um quórum considerado insuficiente para garantir a legitimidade da votação. A situação levanta uma dúvida recorrente entre quem acompanha o Legislativo: o que muda na prática quando uma sessão tão importante é adiada às vésperas do recesso parlamentar, e quais temas ficam parados nesse intervalo? A resposta envolve desde a Lei de Diretrizes Orçamentárias até propostas sensíveis da reforma tributária.

Por que a sessão foi cancelada e o que estava em jogo

A explicação oficial dada por Alcolumbre para o cancelamento combinou dois fatores. O primeiro foi a ausência de consenso entre os líderes partidários da Câmara e do Senado sobre os 65 vetos presidenciais que estavam na pauta, item que normalmente exige negociação prévia entre governo e oposição para evitar surpresas no resultado da votação. O segundo fator foi o baixo comparecimento de parlamentares em Brasília, o que, segundo o presidente do Congresso, inviabilizava uma sessão com participação efetiva de todas as bancadas envolvidas no tema. Em suas palavras, há uma grande dificuldade para realizar a sessão quando não existe participação de todas as lideranças partidárias da Câmara e do Senado.

Entre os temas que ficaram pendentes estão dispositivos relacionados à Lei de Diretrizes Orçamentárias, pontos da reforma tributária e propostas que tratam de emendas parlamentares, incentivos fiscais e investimentos em infraestrutura. São matérias que têm impacto direto na execução do orçamento público e no relacionamento entre Executivo e Legislativo ao longo do segundo semestre. Alcolumbre afirmou que pretende convocar uma nova sessão dentro de 10 a 15 dias, ainda antes do início do recesso parlamentar, e que pedirá aos líderes partidários reuniões periódicas nesse período para tentar fechar um acordo prévio. Ele também sinalizou a possibilidade de dividir a análise dos vetos em até três sessões distintas, com lotes menores de itens em cada uma, o que facilitaria a aprovação de pontos considerados mais urgentes sem depender de um pacote único e mais difícil de negociar.

O pano de fundo da decisão e a investigação contra Jaques Wagner

O cancelamento da sessão não ocorreu isolado de outros acontecimentos em Brasília. No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso envolvendo o Banco Master e tem como um dos principais alvos o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado. A investigação apura supostas fraudes que envolveriam o PT na Bahia e o banqueiro Daniel Vorcaro, embora a defesa de Wagner não tenha se manifestado publicamente sobre o avanço da apuração até o momento. Davi Alcolumbre, por sua vez, manifestou apoio ao senador baiano em meio ao desenrolar do caso.

A combinação entre a operação policial e o adiamento da sessão alimentou leituras de que o momento político em Brasília está mais tenso do que o habitual, com parlamentares divididos sobre os próximos passos das votações no Congresso. Esse cenário se soma a um ano legislativo já marcado, segundo o próprio Alcolumbre, pela proximidade das eleições gerais de 2026 e pela necessidade de maturidade democrática entre os Poderes. Em discurso de abertura do ano legislativo, ele já havia defendido o diálogo entre Executivo, Legislativo e Judiciário, e reforçado que o Congresso completa, em 2026, duzentos anos de funcionamento contínuo, um marco histórico que, segundo ele, exige responsabilidade redobrada nas decisões tomadas pela Casa.

O que esperar das próximas semanas no Congresso

A promessa de Alcolumbre é de que a nova sessão aconteça com uma pauta mais enxuta, concentrada nos itens considerados prioritários tanto pelo governo quanto pelo próprio Parlamento. A ideia de fracionar a votação dos vetos em lotes menores, de 20 a 30 itens por sessão, busca evitar o impasse que travou a tentativa de aprovar os 65 vetos de uma só vez. Essa estratégia depende, no entanto, de as lideranças partidárias conseguirem avançar nas negociações ao longo dos próximos dez a quinze dias, prazo estipulado pelo próprio presidente do Congresso para a nova convocação.

Enquanto isso, outros temas continuam tramitando nas comissões do Senado e da Câmara, como a proposta de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e debates sobre o combate à violência contra a mulher, que seguem em discussão paralela à pauta dos vetos. Para o leitor que acompanha o noticiário político, o episódio reforça como a relação entre quórum, acordo partidário e calendário legislativo pode adiar decisões orçamentárias relevantes mesmo quando há urgência declarada pelo próprio Congresso. O desfecho dessa negociação deve se tornar mais claro nas próximas semanas, à medida que se aproxima o prazo informal dado por Alcolumbre para a realização da sessão remanejada.

O episódio do cancelamento da sessão conjunta ilustra um desafio recorrente da política brasileira: equilibrar a urgência de pautas orçamentárias com a necessidade de construir consenso em um Congresso fragmentado entre múltiplos partidos. A divisão da votação em lotes menores, sugerida por Alcolumbre, pode se tornar um modelo recorrente para destravar impasses semelhantes no futuro. Até que a nova sessão seja efetivamente realizada, o desfecho dos 65 vetos presidenciais e dos projetos vinculados à Lei de Diretrizes Orçamentárias continua incerto, e o tema deve permanecer no centro das atenções em Brasília nas próximas semanas.

Fontes consultadas:

  • https://www12.senado.leg.br/tv/programas/noticias-1/2026/06/davi-alcolumbre-cancela-sessao-do-congresso-para-analise-de-vetos-por-falta-de-acordo
  • https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-02/davi-alcolumbre-prega-convivencia-pacifica-entre-poderes
  • https://bmcnews.com.br/politica/davi-alcolumbre-cancela-sessao-do-congresso-e-adia-analise-de-vetos-presidenciais/

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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