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Brasil

Acidentes com motocicletas pressionam SUS e somam 1,25 milhão de internações em uma década

Marcus Bramdale
Marcus Bramdale 19/08/2026
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10 Min de leitura
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Levantamento aponta 1.247.801 internações de motociclistas entre 2015 e 2025 e estima impacto assistencial de R$ 8,3 bilhões no sistema público apenas entre 2021 e 2025. Crescimento dos casos reforça preocupação com segurança viária e saúde pública no Brasil.

Contents
Homens jovens concentram grande parte das internaçõesInternações aumentaram cerca de 72% em dez anosImpacto assistencial pode chegar a bilhões de reaisProblema ultrapassa hospitais e chega à economiaSão Paulo também registra aumento preocupanteSegurança viária também é política de saúde públicaFontes

Os acidentes envolvendo motocicletas se consolidaram como um importante problema para a saúde pública brasileira. Um levantamento divulgado nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, aponta que o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 1.247.801 internações de motociclistas acidentados entre 2015 e 2025, além de 22.984 óbitos hospitalares no período. Os números foram reunidos em uma análise do Grupo IAG Saúde, que utilizou informações assistenciais da Plataforma DRG Brasil e registros nacionais do DataSUS para dimensionar o impacto dos traumas envolvendo motociclistas sobre hospitais e demais serviços de saúde. (SB24HORAS)

Além do número acumulado de pacientes, a evolução das internações chama atenção. Em 2015, foram contabilizadas 89.315 internações de motociclistas acidentados no SUS. Dez anos depois, em 2025, esse número chegou a 153.301, crescimento de aproximadamente 72%. A tendência indica que os acidentes com motos não representam apenas episódios isolados de emergência, mas uma demanda crescente por atendimento hospitalar, cirurgias, unidades de terapia intensiva e acompanhamento durante a recuperação. (SB24HORAS)

O cenário ocorre paralelamente à expansão do uso de motocicletas no país. Além de serem uma alternativa de transporte individual, as motos passaram a desempenhar papel importante em atividades profissionais, especialmente entregas e outros serviços intermediados por aplicativos. Essa combinação entre crescimento da circulação e vulnerabilidade dos ocupantes aumenta a importância das políticas de prevenção, fiscalização e infraestrutura viária.

Homens jovens concentram grande parte das internações

O perfil dos pacientes mostra que os impactos recaem principalmente sobre uma população jovem e economicamente ativa. A Plataforma DRG Brasil analisou detalhadamente 72.791 internações ocorridas entre 2021 e 2025 e constatou que 81,7% dos pacientes eram homens, enquanto a idade média era de apenas 33,9 anos. Os números revelam uma concentração de vítimas justamente em uma faixa etária que costuma apresentar elevada participação no mercado de trabalho. (Correio Paraense)

Esse aspecto amplia as consequências sociais dos acidentes. Uma vítima que sofre fraturas ou outras lesões graves pode permanecer semanas ou meses afastada das atividades profissionais, dependendo da extensão do trauma. Em situações mais complexas, a recuperação ainda pode exigir fisioterapia, acompanhamento médico especializado e novos procedimentos hospitalares, fazendo com que os efeitos ultrapassem o período inicial da internação.

O crescimento da atividade profissional sobre duas rodas também adiciona uma dimensão econômica ao problema. Motociclistas que trabalham com entregas e transporte podem permanecer durante várias horas diariamente expostos ao trânsito, aumentando o tempo de circulação e, consequentemente, a exposição aos riscos viários.

Internações aumentaram cerca de 72% em dez anos

A comparação histórica ajuda a dimensionar a evolução do problema. O salto de 89.315 internações em 2015 para 153.301 em 2025 representa aproximadamente 64 mil hospitalizações adicionais por ano entre os extremos da série analisada. Isso corresponde a uma alta próxima de 72% em uma década, segundo os dados apresentados pelo levantamento. (SB24HORAS)

O aumento das internações também exige capacidade hospitalar para lidar com traumas potencialmente complexos. Diferentemente de atendimentos que podem ser solucionados rapidamente em unidades de emergência, acidentes graves de trânsito frequentemente envolvem fraturas, lesões em diferentes partes do corpo e necessidade de procedimentos cirúrgicos. Em determinados casos, os pacientes precisam permanecer em terapia intensiva e posteriormente iniciar processos prolongados de reabilitação.

Uma pesquisa do Ipea divulgada anteriormente também havia apontado a dimensão crescente da mortalidade entre motociclistas. O estudo mostrou que as mortes envolvendo motocicletas passaram de 792 em 1996 para 13.521 em 2023. Naquele último ano, motociclistas já representavam quase 40% das mortes registradas no trânsito brasileiro. (CNN Brasil)

Impacto assistencial pode chegar a bilhões de reais

O levantamento do Grupo IAG Saúde também procurou estimar o impacto financeiro dos atendimentos. Considerando um custo médio assistencial de R$ 12.658,45 por internação, observado na Plataforma DRG Brasil, e aplicando esse parâmetro ao volume registrado no sistema público, a estimativa apresentada chega a aproximadamente R$ 8,3 bilhões em custos assistenciais entre 2021 e 2025. (SB24HORAS)

Há uma ressalva metodológica importante: os dados da Plataforma DRG Brasil e do DataSUS representam populações e finalidades diferentes e, portanto, não podem ser comparados diretamente como se fossem uma única base financeira. Os R$ 8,3 bilhões correspondem a uma estimativa, calculada a partir do custo médio observado pela plataforma aplicado ao volume de internações registrado pelo SUS, e não a uma soma direta de despesas efetivamente contabilizadas pelo governo federal. (SB24HORAS)

Mesmo com essa ressalva, a estimativa demonstra como os acidentes de trânsito podem produzir consequências econômicas que vão muito além dos danos materiais registrados nas vias. Recursos hospitalares precisam ser destinados a cirurgias, exames, internações e reabilitação, enquanto pacientes podem enfrentar afastamento profissional e perda temporária ou permanente da capacidade de trabalho.

Problema ultrapassa hospitais e chega à economia

Os impactos também precisam ser observados fora das unidades de saúde. Quando um trabalhador sofre um acidente grave, os efeitos podem atingir sua renda, sua família e sua atividade profissional. Dependendo da lesão, há necessidade de afastamento prolongado, benefícios previdenciários ou adaptação para novas funções. Em casos de incapacidade permanente, as consequências econômicas podem acompanhar a vítima durante anos.

Por isso, acidentes de trânsito são considerados também uma questão de desenvolvimento econômico e social. A Organização Pan-Americana da Saúde destaca que lesões no trânsito provocam custos socioeconômicos relevantes e que motociclistas, ciclistas e pedestres estão entre os usuários mais vulneráveis das vias. Entre as estratégias recomendadas estão gestão de velocidade, melhoria da infraestrutura, aplicação das leis de trânsito, padrões de segurança dos veículos e fortalecimento da resposta após os acidentes. (Paho)

A prevenção pode ter reflexos diretos sobre o sistema de saúde. Reduzir acidentes graves significa diminuir a demanda por ambulâncias, pronto-socorros, centros cirúrgicos, leitos de UTI e serviços de reabilitação, permitindo que esses recursos sejam utilizados também para atender outras necessidades da população.

São Paulo também registra aumento preocupante

Dados recentes mostram que o problema continua presente em 2026. Na cidade de São Paulo, 48 motociclistas e passageiros de motos morreram em julho, o maior número registrado para o mês desde o início da série histórica do Infosiga, em 2015. Nos primeiros sete meses de 2026, foram 286 mortes, também um recorde para o período. (Folha de S.Paulo)

Ao mesmo tempo, a frota continua crescendo. Dados citados pelo Detran-SP indicam que a quantidade de motocicletas emplacadas na capital aumentou 5,7% na comparação entre os primeiros seis meses de 2025 e o mesmo período de 2026. A expansão demonstra como a motocicleta continua ganhando espaço na mobilidade urbana, seja como alternativa aos congestionamentos, seja como instrumento profissional. (Folha de S.Paulo)

Esse crescimento aumenta o desafio das autoridades de trânsito e saúde. Quanto maior a circulação de motociclistas, maior se torna a necessidade de infraestrutura adequada, fiscalização, formação dos condutores e políticas específicas destinadas aos usuários mais vulneráveis.

Segurança viária também é política de saúde pública

Os dados das internações reforçam uma mudança importante na maneira de analisar acidentes de trânsito. O problema não termina no local da colisão. Quando uma vítima é encaminhada para um hospital, começa uma cadeia de atendimento que pode envolver resgate, emergência, exames, cirurgia, UTI, internação convencional, fisioterapia e acompanhamento posterior.

Dessa forma, políticas de segurança viária podem ser consideradas também medidas preventivas de saúde pública. A redução da velocidade em locais de maior risco, a fiscalização das regras de trânsito, o uso correto de capacetes e equipamentos de proteção, a qualificação dos condutores e melhorias na infraestrutura são algumas das estratégias capazes de reduzir tanto a ocorrência quanto a gravidade das lesões.

Com quase 1,25 milhão de internações em dez anos, o impacto dos acidentes envolvendo motociclistas assume dimensão nacional. Os números mostram que enfrentar o problema exige integração entre saúde, mobilidade, fiscalização e planejamento urbano, principalmente porque uma parcela expressiva das vítimas é formada por adultos jovens. Além de preservar vidas, políticas eficazes de prevenção podem reduzir internações evitáveis e aliviar uma pressão significativa sobre os recursos do SUS. (SB24HORAS)

Fontes

SB24Horas — levantamento sobre internações de motociclistas e custos ao SUS

CNN Brasil — estudo do Ipea sobre mortes envolvendo motocicletas

OPAS/OMS — medidas técnicas para segurança no trânsito

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