A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou em 25 de setembro de 2026 as recomendações para a composição das vacinas contra a influenza que serão utilizadas na temporada de 2027 no hemisfério Sul. A orientação considera informações de vigilância epidemiológica, características genéticas e antigênicas dos vírus em circulação e resultados de estudos sobre a resposta imunológica proporcionada pelas vacinas.
O documento divulgado pela Organização Mundial da Saúde serve como referência para autoridades regulatórias, fabricantes e programas nacionais de imunização. A recomendação internacional, no entanto, não significa que uma campanha de vacinação já tenha começado no Brasil ou que as doses estejam imediatamente disponíveis no país.
Quais vírus foram recomendados pela OMS
Para as vacinas produzidas com tecnologia baseada em ovos, a OMS recomendou componentes semelhantes aos vírus A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, A/Darwin/1454/2025 (H3N2) e B/Tokyo/EIS13-175/2025, pertencente à linhagem Victoria. Esses componentes devem orientar a preparação das formulações destinadas à temporada de influenza de 2027 no hemisfério Sul.
Para vacinas produzidas por cultura celular, tecnologia recombinante ou plataformas de ácidos nucleicos, a recomendação indica os vírus A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, A/Darwin/1415/2025 (H3N2) e B/Pennsylvania/14/2025, também da linhagem Victoria. A diferença entre as listas está relacionada ao sistema de produção utilizado em cada tipo de vacina.
A composição é revisada porque os vírus da influenza sofrem mudanças contínuas. A análise de suas características ajuda a identificar quais componentes devem ser considerados pelos fabricantes para que as vacinas acompanhem, da melhor forma possível, os vírus que circulam em diferentes regiões. A seleção não elimina o risco de infecção, mas integra a estratégia de preparação e prevenção contra a gripe.
Como funciona a atualização das vacinas
De acordo com o Programa Global de Influenza da OMS, a organização realiza consultas técnicas duas vezes por ano. Uma rodada é dedicada à temporada do hemisfério Norte e outra ao hemisfério Sul. O objetivo é avaliar os vírus detectados, a evolução das variantes e o desempenho das formulações utilizadas nas temporadas anteriores.
O processo reúne especialistas de centros colaboradores do Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza, conhecido pela sigla GISRS, além de laboratórios de referência e autoridades nacionais. A consulta que embasou a recomendação para 2027 no hemisfério Sul ocorreu em setembro de 2026, antes da publicação do documento técnico com os componentes indicados.
Esse acompanhamento internacional é necessário porque a influenza apresenta circulação sazonal e pode se comportar de maneira diferente entre as regiões do planeta. A separação das consultas por hemisfério permite considerar os dados epidemiológicos mais relevantes para cada temporada, embora a definição final das vacinas dependa também de processos regulatórios e produtivos em cada país.
O que muda para o Brasil
O Brasil está no hemisfério Sul e utiliza as recomendações da OMS como uma das referências para a atualização anual das vacinas contra a influenza. Segundo a Nota Técnica nº 3/2026 do Ministério da Saúde, a composição das vacinas é atualizada anualmente a partir das orientações internacionais, em conjunto com as etapas nacionais de definição e autorização.
Por isso, a recomendação divulgada em setembro deve ser entendida como uma etapa técnica da preparação para 2027, e não como um anúncio do calendário brasileiro de vacinação. A aplicação das doses dependerá das decisões das autoridades responsáveis, da autorização das formulações e da organização do programa nacional de imunização.
Também será necessário aguardar informações oficiais sobre as vacinas que efetivamente serão utilizadas no país, os grupos prioritários e as datas de uma eventual campanha. Até que essas definições sejam divulgadas, a orientação da OMS funciona principalmente como base para o planejamento dos fabricantes e das autoridades de saúde.
Por que a recomendação é relevante
A atualização permite alinhar a produção de vacinas aos dados mais recentes sobre a circulação dos vírus da influenza. Para os sistemas de saúde, o processo ajuda a organizar com antecedência a produção, a avaliação regulatória e a distribuição das doses para a temporada correspondente.
Para a população, a principal consequência neste momento é a necessidade de diferenciar uma recomendação técnica internacional de uma convocação para vacinação. A definição dos componentes para 2027 é importante para a preparação da resposta de saúde pública, mas não substitui os comunicados oficiais sobre quando, onde e para quem as vacinas estarão disponíveis no Brasil.