Inmet projeta madrugadas próximas de 0°C no Sul e mínimas abaixo de 10°C em São Paulo, com nova frente fria a caminho.
O inverno voltou a apertar em boa parte do país nesta semana. Uma massa de ar polar avançou pelo Rio Grande do Sul, por Santa Catarina e pelo Paraná no fim de semana e chegou ao Sudeste, derrubando os termômetros também em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a combinação entre o ar frio e uma área de baixa pressão no litoral provocou geadas em regiões serranas e favoreceu temporais com granizo e ventania em cidades gaúchas. Em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, uma tempestade chegou a destelhar mais de cem imóveis e deixou cerca de 400 pessoas desalojadas, conforme a Defesa Civil municipal. O leitor que quer saber até quando o frio deve durar, onde a geada representa risco maior e o que muda a partir da próxima frente fria encontra aqui um retrato atualizado da previsão para os próximos dias.
Até onde o frio deve chegar nesta semana
As madrugadas mais frias se concentram nas áreas serranas e de maior altitude do Centro-Sul. No Rio Grande do Sul, as mínimas variam entre valores negativos e cerca de 12°C, com destaque para a Serra Gaúcha e para a Campanha, onde municípios como Quaraí registram temperaturas próximas de zero grau. Em Santa Catarina, o potencial de geada é ainda maior no Planalto e na Serra, com mínimas que podem chegar a 2°C negativos, enquanto o norte do estado mantém temperaturas mais amenas. No Paraná, o frio mais intenso atinge o sul e o leste, incluindo Curitiba, onde a máxima da terça-feira ficou pouco acima de 15°C.
No Sudeste, o efeito da massa polar chegou com um dia de atraso em relação ao Sul, mas com força suficiente para provocar a madrugada mais fria do ano em algumas cidades. Em Campos do Jordão, no interior paulista, a Defesa Civil registrou 2,1°C, temperatura que iguala a mínima mais baixa do estado em 2026. Na capital paulista, a estação Mirante de Santana, do próprio Inmet, marcou 11,4°C. A previsão indica que a quarta-feira ainda deve trazer termômetros abaixo de 10°C em grande parte de São Paulo e de Minas Gerais, com possibilidade de geada isolada no sul mineiro, em cidades como Poços de Caldas e Pouso Alegre.
Enquanto o Centro-Sul enfrenta o frio, o cenário é bem diferente em outras regiões do país. O Centro-Oeste mantém tempo firme e seco na maior parte da semana, com máximas que chegam a 34°C no norte de Mato Grosso e de Goiás. Já o Nordeste tem previsão de chuva no litoral, sem alteração relevante nas temperaturas. Essa diferença regional é típica dos episódios de friagem que atingem o Centro-Sul no inverno, quando o ar polar avança até áreas do sudoeste da Amazônia sem chegar a alterar de forma significativa o clima das demais regiões.
Nova frente fria e temporais no Rio Grande do Sul a partir de quinta
Depois de alguns dias mais estáveis no Sul, uma nova mudança no tempo está a caminho. Segundo o Inmet, a partir de quinta-feira uma frente fria deve avançar pela Argentina e pelo Uruguai em direção ao Rio Grande do Sul, favorecendo o retorno da chuva e aumentando o risco de temporais no estado. O sistema deve provocar chuva intensa, descargas elétricas, rajadas de vento superiores a 90 km/h e, de forma pontual, queda de granizo, especialmente entre sexta-feira e o fim de semana.
Um bloqueio atmosférico pode manter a instabilidade sobre o Rio Grande do Sul por vários dias seguidos, com acumulados pontuais de até 50 milímetros de chuva entre sábado e segunda-feira. O risco mais imediato é de alagamentos, interrupção no fornecimento de energia elétrica e queda de árvores, o que reforça a orientação das autoridades para que moradores das áreas mais afetadas acompanhem os alertas emitidos pela Defesa Civil de cada município.
Segundo o meteorologista do Inmet Francisco de Assis Diniz, a atual massa de ar polar está dentro do padrão esperado para o inverno e não é o episódio mais intenso do ano. Ele lembra que outras ondas de frio em 2026 já provocaram temperaturas próximas de 7°C negativos nas áreas mais altas do sul de Santa Catarina, o que ajuda a colocar o momento atual em perspectiva.
O que esperar depois da passagem do sistema
A boa notícia para quem sofre com o frio é que o alívio deve vir logo depois da nova frente. Com o deslocamento da área de alta pressão para o oceano, uma área de baixa pressão deve se organizar entre o Paraguai, o norte da Argentina e o Rio Grande do Sul, favorecendo o retorno do calor e da umidade para a região a partir da semana seguinte. Segundo a meteorologista Maria Clara Sassaki, assim que a massa de ar frio perder força, o ar seco e quente deve predominar na maior parte do Brasil, com temperaturas acima da média durante boa parte da segunda quinzena de julho.
Isso não significa, porém, que as chuvas vão desaparecer do Sul. A tendência é que as precipitações fiquem concentradas justamente nessa região, com pouca capacidade de avançar para outras áreas do país. Enquanto isso, o restante do território deve conviver com dias mais secos e quentes, o que reforça a recomendação de hidratação e de cuidados com a pele e as vias respiratórias, especialmente entre crianças e idosos.
O episódio desta semana confirma um padrão observado ao longo do inverno de 2026: massas de ar polar relativamente frequentes, intercaladas por períodos mais curtos de aquecimento. Para quem mora nas regiões serranas do Sul e no interior paulista e mineiro, o recado prático é claro. Vale a pena manter o agasalho à mão até pelo menos o fim da semana e acompanhar os boletins do Inmet antes de viajar pelas rodovias do Sul, onde neblina e pista molhada podem se somar ao frio.
Fontes consultadas: Agência Brasil | CNN Brasil | Brasil 247 | Gazeta do Povo