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Brasil

“Não conseguimos parar a chuva, mas podemos nos preparar para evitar a catástrofe”

Diego Velázquez
Diego Velázquez 20/05/2024
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5 Min de leitura
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Localizada em São José dos Campos, São Paulo, a sala de situação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão federal vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, não fecha nunca. Equipes de até 20 pesquisadores de pelo menos quatro áreas (meteorologia, hidrologia, geodinâmica e desastres) se revezam em turnos de seis horas para monitorar e emitir boletins e alertas sobre o tempo e o clima em áreas de risco em todo o Brasil.

Foi de dentro dessa sala que Giovanni Dolif, coordenador-geral substituto da Operação e Modelagem do Cemaden, assistiu às chuvas sem precedentes que assolaram o Rio Grande do Sul. Nesta entrevista, concedida na tarde de quarta-feira, 8 de maio, Dolif contou o que ele e seus colegas pesquisadores viram antes e durante a tragédia gaúcha e o que os sistemas preveem para os próximos dias.

Kevin Damasio, Ambiental Media: Qual é o papel do Cemaden durante um evento extremo como esse do Rio Grande do Sul? Quais são as etapas do trabalho do Cemaden antes, durante e depois?

Giovanni Dolif: O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) tem como uma das principais missões monitorar situações como essas e enviar alertas antecipados. Mas, além desse pilar, tem outros dois: a pesquisa e a rede observacional, que é uma rede de pluviômetros medindo chuvas. São mais de 3 mil espalhados em municípios e áreas de risco do país. Então, a gente acompanha o que está chovendo e o que está previsto chover.

Esse monitoramento é feito numa sala de situação que trabalha 24 horas, com equipes multidisciplinares que se revezam a cada seis horas. Tem quatro áreas: um meteorologista, que naturalmente vai olhar a chuva prevista; um hidrólogo, que olha como essa água vai escoar no chão, nos rios; um especialista em geodinâmica, que olha o efeito dessa água no solo, para avaliar o risco de movimento de massa; e o profissional de desastres, que olha o impacto socioambiental dessas chuvas. A partir da avaliação desses quatro profissionais, são emitidos os alertas.

As comunicações desse monitoramento saem de duas formas. Uma, no boletim de riscos que é emitido todos os dias, na página do Cemaden, com previsão para o próximo dia, dividido em microrregiões do país que ficam pintadas de amarelo, laranja ou vermelho, em função do nível desse risco – moderado, alto ou muito alto, respectivamente. Quando esse evento está próximo, iminente, praticamente certo de acontecer, então o Cemaden emite um alerta para o Cenad, em Brasília, que é o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, e para as defesas civis.

Esse alerta é direcionado ao município que tem determinado risco. Se tem vários municípios sob esse risco, vários municípios vão receber esse alerta.

Como foram os trabalhos no episódio que acontece agora no Rio Grande do Sul?

Alguns dias antes tinha previsão de um volume significativo de chuva. Em média, no Rio Grande do Sul, chove em torno de 150 mm no mês de maio. E estava previsto em três dias mais do que isso – 200, 250 milímetros (mm). Então, em três dias mais do que a chuva do mês inteiro. Tinha previsão de um grande evento. Então, foram feitas reuniões com Cenad – briefings que a gente faz diariamente.

Isso com dias de antecedência, ali no final de semana, antes dos eventos. Porque a frente fria ia chegar no final de semana, então já tinha expectativa de que aquela frente fria trouxesse muita chuva. Então, comunicações, previsão de risco, alertas. Quando foi chegando mais próximo, os acumulados foram acontecendo, então foram saindo os alertas – hidrológico para inundação, geodinâmico para deslizamento de terra, e foram subindo de nível, na medida em que a dinâmica ia acontecendo e os municípios iam sendo atingidos.

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